quarta-feira, 31 de agosto de 2011

Pedaços de vida... ou vida de pedaços?

Sensação de que você não superou algo. O tempo, ao invés de aliviar as dores, apenas fez adormecê-las em um peito cansado. Cansado de lembrar algo que queria esquecer. Ou melhor, queria nunca ter vivido.
Sentir a ausência de pessoas queridas. Pessoas que deveriam ser seu ninho, seu alicerce, mas não são. São apenas desconhecidos morando embaixo do mesmo teto. Cada um no seu mundinho, tão preocupado com a próxima tarefa a executar. Porém, dentre a tríade, uma pessoa sente falta. Sente, desde sempre. Desde que se entende por gente.
Pode ter tantas coisas, tantas oportunidades que tantas outras pessoas queriam, essa pessoa tem. Entretanto, uma coisa ainda lhe falta: carinho e atenção. Mas digo, a real atenção e o real carinho, e não dinheiro frio e sujo a qualquer momento para uma diversão casual ou uma conversa interminável onde esconde-se motivos mesquinhos, repetidos, mas que pretende colocar como uma grande preocupação com o seu futuro e o que está fazendo dele.
Ela não deveria reclamar, tem tantas coisas a seu dispor. Seria, ela, uma pessoa tão ingrata a ponto de não reconhecer e dar graças pelo o que tem? Ela sempre agradece pelo o que tem, mas queria ter mais, um pouquinho mais... será que é demais para ela? Será que ela não merece? Será que ela está pedindo muito.
Nada material. Um afago, um abraço, uma conversa no fim do dia... - "Oi, como vai você? Como foi seu dia? O que fizeste de bom?" - Não seria nada mal, na verdade, para essa pessoa seria um sonho realizado. Algo de verdade, e não mecanizado, como se houvesse apenas obrigação de que essas pessoas convivessem juntas. Obrigação... nossa, que palavra mais gélida! Nada mais decepcionante...
Vontade ela tem, e muita, de conversa com a dupla. Mas como? Se sabe muito bem (desde sempre), que será taxada... "Ora, quanta tolice, pare com isso..." - Quando ela pensa em falar sobre, ela pensa um pouco mais... e prefere deixar escondido dentro dela mesmo. Vez ou outra irá transbordar, e seus olhos denunciarão a tristeza que ela carrega no peito. Ela pode até esquecer, mas está lá. E a dor sempre aparece...
Dizem que o tempo cura tudo. Será? Para essa pessoa, a dor só piorou com o passar do tempo. Algo que evoluiu e isso é péssimo!
Ela sente que falta algo. Se sente em pedaços. E se sente viva, alegra, intensa, quando está na companhia de quem lhe dá atenção, do jeito que ela precisa. Se sente "em casa", quando abraça o ser amado. O amigo querido. A amiga atenciosa. Pessoas preciosas! Afinal, ela precisava disso, senão, como conseguiria seguir o seu caminho tortuoso, cheio de obstáculos e com muitas vitórias para conquistar? Precisa desse apoio, aonde a tríade não dá suporte. Na verdade, bem se sabe que não é tríade, e sim um quinteto. Desmembrado... ligados por um fio cada vez mais fino... Fino, fino, este fio fica cada vez mais fino com o passar do tempo e ela só lamenta....
Haja a transbordar esse rio que ela traz dentro dela. Rio que corre através dos olhos....
A dupla nunca lhe perguntou o contexto de, absolutamente, nada. Eram só os seus interesses em pauta. E a pessoa ficando cada vez mais acuada e retraída. Aprendeu a ser discreta ao longo do tempo, pelo menos algo bom!
Com tudo isso, ela aprende a como não ser, para que, no futuro, em seu próprio ninho, ela possa ser o que a dupla, na verdade, o quarteto, não fora para ela. Ela sente falta do pilar, do centro, de toda essa parafernalha que se tornou o seu ninho primeiro, desde que este pilar não pode mais existir entre eles.
Ah, pilar, fazes falta... e como... tua graça, teu charme, teu amor... ela depende de ti até hoje, e sente o amor vibrar forte no peito, quando pensa em ti... Outro rio vem aí... saudade...
Enquanto isso, ela cresce, amadurece e vive... mesmo não sentindo vontade de voltar para seu lar, ao fim do dia, ela vive... Sente que o que viveu nesse ninho foram apenas pedaços de vida... e ela não queria constatar isso, mas o que realmente parece é que sua vida, no ninho, foi uma vida de pedaços. Pedaços, hoje, tão desconexos, confusos e perdidos, que ela se sente mais do mundo... mais da vida...
Hoje o pássaro prefere voar... como sempre... voa, pássaro, voa... tens muito a ver no mundo... procura o amor que precisas, a alegria que almejas, o carinho que desejas...

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